Sabe-se que já não têm vergonha quando se vê isto…

TheEconomist

Os milhões de pobres  por todo o mundo devem estar muito felizes por serem mais ricos que os pobres anteriores.

4 Comments

  1. Essa publicidade do Economist é boa por levantar uma questão que deve ser analisada. Rejeitá-la à partida sem sequer perder algum tempo a pensar nela é a opção errada.
    A pergunta faz todo o sentido. O que é que é importante – garantir que os pobres são menos pobres em relação aos mais ricos, ou garantir que são menos pobres em absoluto? Claramente, a segunda é a resposta certa. Pensemos nestes dois exemplos:
    – se eu mantiver todos os pobres exactamente como estão, mas reduzir drasticamente o rendimento dos mais ricos, por forma a reduzir esse ‘fosso’ (imagine-se, para bem do argumento, que todo esse rendimento dos mais ricos é absorvido pelo Estado e não redistribuído – gasto em obras supérfluas e que não contribuem para redistribuição de riqueza, por exemplo), os pobres estão melhor? Claramente não. O fosso entre ricos e pobres diminuiu, mas não só os pobres ficaram na mesma, como os ricos ficaram piores – ou seja, o efeito total sobre a sociedade é claramente negativo.

    – imagine-se agora que através de novas e melhores medidas de redistribuição de impostos, se consegue garantir que todos os pobres saem de situação de pobreza, conseguindo dispôr de um rendimento acima do limiar mínimo de pobreza. No entanto, simultaneamente há um aumento do desenvolvimento económico (se calhar até causado pela situação anterior, mas é irrelevante para o exemplo) e os ricos também vêem os seus rendimentos aumentados, levando a uma redução pequena ou nula do fosso entre ambos. Não é verdade que a sociedade está melhor no seu total? O que importa para os pobres não é a comparação com os ricos, mas sim o poderem dispor dos meios necessários à sua subsitência. É esse o limiar de pobreza, e é isso que urge terminar.

    A sua indignação com o anúncio só faz sentido se defender que toda a gente devia ter exactamente o mesmo rendimento e que seria esse o ponto para onde deveríamos caminhar. Se é isso, é totalmente absurdo e impraticável, por razões demasiadas para sequer ser necessário enumerá-las…

    Aliás, são essas utopias que não ajudam em nada a resolver a situação da pobreza na sociedade.

  2. Embora respeite, não consigo concordar com essa vista social-democratica em relacao à sociedade.
    A questão que se põe a todos nós, é, a meu ver acabar com o fosso. Não implica obrigatoriamente descer os rendimentos dos mais ricos, implica sim que os mais ricos deixem de “chupar” tanto os mais pobres e estejam a uma distancia tão grande. Não defendo que todos aufiram do mesmo salário/rendimento, no entanto não acho que existam diferenca suficientes no trabalho que possam levar a que uma pessoa ganhe num mês tanto como outra demora variados anos a ganhar.
    E outra coisa ainda mais importante… o mais importante não é os pobres “subsistirem”, é, a meu ver novamente, não existirem pobres! não existir uma camada da população que apenas sobrevive. As (boas) condições de vida ( acesso a educação, cultura, saúde, habitação, etc) devem ser um direito de todos, e com qualidade para todos.

  3. O problema não são os ricos. Aliás, os ricos são pessoas que (com as devidas excepções) tiveram o valor e mérito para chegarem onde chegaram, e como o dinheiro não cresce das árvores, à partida também ajudaram uns quantos pelo caminho.

    Naturalmente que é prioritário os pobres ganharem mais. A prioridade não deve ser colocada nos ricos ganharem menos ou ganharem mais. Não deve sequer ser colocada nos ricos — esses estão bem.

    A frase do The Econonist reflecte o típico pensamento republicano americano: vamos dar mais dinheiro aos ricos, os pobres que se resolvam. Aliás, Bush cortou os impostos a quem aufere mais de 200k/ano. E esta foi uma de muitas medidas que benefeciaram os ricos em detrimento dos pobres.

    Quanto a existirem ricos e pobres, existirá sempre. A economia não é eficiente ou sequer funcionaria se não for heterogénea. Apenas no comunismo, que é complementar mas igualmente utópico, pois assumimos que todos somos iguais e conseguimos produzir o mesmo, o que não é verdade.

    Eu acredito que o Estado não deve prejudicar uns em detrimento dos outros, mas deve dar iguais oportunidades a todos, como é a educação, saúde ou justiça. Se um compra um Porsche ou um Fiat, isso já depende de si.

  4. “A sua indignação com o anúncio só faz sentido se defender que toda a gente devia ter exactamente o mesmo rendimento e que seria esse o ponto para onde deveríamos caminhar. Se é isso, é totalmente absurdo e impraticável, por razões demasiadas para sequer ser necessário enumerá-las…

    Aliás, são essas utopias que não ajudam em nada a resolver a situação da pobreza na sociedade.”

    Sempre a mesma lenga-lenga. O que não ajuda a acabar com a pobreza é a conversa da manutenção do actual estado de coisas. A velha oração católica e medieval de que Deus quis assim e que não o devemos contrariar foi substituida por esta elegia falsamente moralista de que as “utopias não ajudam em nada”, de que é “absurdo e impraticável” e, naturalmente, de que devemos defender a paz social. Pois claro! Não fosse uma qualquer revolta acabar com o poder de quem detém a maioria da riqueza!

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