Ontem, obriguei-me a assistir ao programa “Prós e Contras” da RTP1, que geralmente é um programa de “Prós e Prós”,mas ontem variou um bocado e foi um programa de “Corporativismo VS Vaidosismo”.

Vimos de um lado:

– Manuel Maria Carrilho (MMC), com todo o seu “vaidosismo” e superioridade, apenas preocupado com a conspiracao supostamente montada contra si
e
– Emidio Rangel, que veio fazer o papel de inocente, que descobriu que os media eram maus e controlados pelo dinheiro (mas só depois de ele ter saido de director da SIC)

E do outro lado:
– Ricardo Costa, o jornalista-irmao-de-ministro-agora-director-de-informacao-da-sic, que tentou branquear toda a actuação da Comunicação Social, qual virgem santissima dos nossos tempos
– Pacheco Pereira, que sinceramente nao me pareceu que estivesse em nenhum dos lados, excepto no lado de mostrar que o livro do MMC, nao passa de uma publicacao onde MMC faz exactamente o mesmo, ou pior do que o que acusa os media de fazerem

E ainda no publico,
– O representante de uma das agencias de noticias, implicadas no livro como parte da conspiracao contra MMC em Lisboa, que veio inclusive comparar MMC a Oliveira Salazar por MMC dizer que os media estavam ligados a interesses de corporações, capital e bancos..

Ora, o que mais me impressionou no meio disto tudo, foi, no meio de toda esta gente, apenas MMC (pessoa que acho no minimo repugnante nas suas atitudes e maneira de estar na politica) achou revoltante (tal como eu) a importancia que estas “Agencias de informacao” teem nos nossos media. Ora foram admitidas ali coisas gravissimas, como que, 75% de todas as noticias dos jornais,tv,etc sao oriundos destas agencias, e nao oriundas de trabalho jornalistico. Ou seja os jornalistas, nao fazem qq escrutinio ou escolha, ou sequer tem uma opiniao critica sobre os textos que estas empresas (com muitos interesses por detras) lhes enviam, existingo inclusive acordos pre-estabelecidos de numero de noticias que os jornais devem publicar, e do numero de noticias que estas agencias devem enviar.
Admito que até ontem, o que me fazia mais impressao na comunicacao social, era o agrupamento desta, havendo na realidade apenas 2 ou 3 empresas de comunicacao, estando todos os seus variados meios (TV,radio,jornais) submetidos à mesma politica editorial. A partir de ontem acrescento à minha preocupação o facto de apenas 25% do que sai nestes meios ser de producao propria (e depois ainda sujeita ao lapiz azul de uma qq politica editorial mais restricta).
Existem ainda por este pais fora casos de pressao publicitaria, como por exemplo com o Jornal Noticias da Amadora, que deixou de receber publicidade da Camara Municipal da Amadora, por ter por varias vezes tido uma posicao critica em relacao a esta.. como pode um jornal de indole local/regional subsistir nestas condições?
Faz me impressão que se possa falar em liberdade de imprensa quando a maior parte da informação é portanto paga, e quando existem posicoes criticas é logo cortado qualquer tipo de publicidade… Como pode um jornal ou jornalista ser livre, quando sabe que um qualquer texto que escreva, a criticar um Banco, grupo economico, empresa ou partido, poderá levar ao terminar de acordos publicitarios, e portanto ao fim do seu emprego ou posicao?