Sempre que se fala da morte dos grandes vultos da história recente de Portugal (Álvaro Cunhal, Lopes Graça, Carlos Paredes, Vasco Gonçalves, José Afonso, etc) é usado o mesmo adjectivo : coerência.

Diminui-se estes grandes homens ao minimo denominador comum. Fala-se deles como pessoas muito simpáticas, muito isto, muito aquilo… Quando na realidade, enquanto vivos foram das pessoas que mais paixões e ódios despertaram.

Fala-se de José Afonso como se este se tivesse tratado de um baladeiro, fazendo assim tábua rasa a toda a sua intervenção, à sua luta contra o Estado Novo e o fascismo, à sua luta pela liberdade, e por um pais que fosse como na sua “Utopia” um lugar sem muros nem ameias, um lugar onde o Povo é quem mais ordena.

É necessário hoje em dia mostrar a actualidade da obra de José Afonso, mostrar como obras escritas muitas vezes com algo muito concreto em mente (morte de Dias Coelho, atentados contra as conquistas populares de Abril em 1975, etc), ainda hoje (,e de certo ainda por muitos anos) tem um significado actual, e reflectem em muito os problemas que o Pais e o Povo enfrentam assim como muitas dos seus anseios e lutas.

José Afonso rir-se ia por certo de todos aqueles quanto, defendendo uma ideia oposta à sua de sociedade, vem hoje à Praça Publica tecer-lhe elogios (ou choraria pelo estado a que chegou o nosso Portugal de Abril?).

Passe-se a falar destes grandes Homens com os verdadeiros adjectivos : Lutadores, Sonhadores, REVOLUCIONÁRIOS!

A luta continua!