Bicicletadas Massa Crítica

Já por duas vezes diferentes tive o (des)prazer de me cruzar com a “Bicicletada” da Massa Crítica no Marquês de Pombal…

“Massa Crítica”, para quem não conhece é um grupo internacional que pretende divulgar a utilização da bicicleta como meio de transporte de pleno direito nas cidades.
Ora… com as intenções deles não tenho problema nenhum – embora Lisboa seja uma cidade complexa para andar de bicicleta, gosto da ideia de esta ser mais utilizada e ter um papel mais preponderante, substituindo possivelmente em muitos casos o automóvel – o meu problema está com a forma de divulgação que utilizam.
Esta tal “bicicletada”, que se dá todas as últimas sextas feiras do mês, tem, como aparente ponto alto uma passagem (demorada) pelo Marquês de Pombal, em que os participantes dão voltas em plena hora de ponta à volta da rotunda – até aqui – embora discutível – tudo bem ainda. O que não posso de forma alguma concordar é com a forma como estas voltas são feitas – ignorando sinais de transito, ignorando regras de segurança e condução básicas.
A mim, como condutor forçado (vivo dentro da capital, e trabalho fora dela – nunca poderia fazer o caminho de bicicleta), chateia-me (enraivece-me? entristece-me?), que, a “Massa Crítica” em vez de me tentar mostrar (a mim, automobilista) o interesse de andar de bicicleta em Lisboa, mostrando-me como é possível e seguro, me ataquem impedindo a principal rotunda da cidade, e infringindo as mais básicas regras de segurança rodoviária (numa das ocasiões uma das bicicletas ultrapassou-me pela direita!).
Querem pessoas a utilizar bicicletas? A considerá-las uma boa alternativa aos automóveis? Cumpras as regras de transito.

Seduzam os automobilistas, não os ataquem!

29 Comments

  1. bom dia,

    li o seu comentário sobre a massacritica. Como ciclista, dou-me todos os dias com automobilistas que infringem as mais básicas regras de segurança rodoviária pondo em risco a minha vida, e mostrando muitas vezes pouco respeito para com os ciclistas. A massa crítica é uma forma de sermos ouvidos e vistos e para reclamar mais direitos para ciclistas no código da estrada.

    cumprimentos

    Thomas

  2. O Sr. apela à manifestação em posts no seu próprio blog… Essas manifestações também incomodam, de certo, muita gente. Porque é que não tentam seduzir os políticos em vez de os atacar?
    Caso não tenha reparado, a faixa dos bus costuma estar liberta e os peões têem sempre prioridade, durante o passeio, sempre há respeito…
    Os sinais vermelhos quebram a única possibilidade de irmos todos juntos. Se paramos num há logo um carro que se mete no meio e tenta atropelar qualquer bicicleta porque esta vai muito devagar. O que é ridículo dentro da cidade.
    A Massa Critica não tem o intuito de agradar ou desagradar automobilistas, apenas vamos dar uma voltinha por Lisboa uma vez por mes, todos juntos.
    Olhe, se calhar, já que sabe tão bem a calendarização e localização deste passeio, faça como nós fazemos diariamente (nas deslocações de bicicleta) e siga por outro caminho.
    Também podemos reivindicar qualquer coisinha… ou não… estamos a incomodar… temos de parar para deixar passar os quem têem o direito sobre todos os outros de utilização da estrada… Temos que respeitar e não incomodar os automobilistas, sempre, porque eles é que estão bem.
    Posso sugerir algo? Tente andar de bicicleta, em Lisboa, num dia normal e faça aqui um post sobre a sua aventura… Sugiro uma ida desde o Parque das Nações até Entrecampos – tem ciclovias no caminho todo. Faça à hora de ponta… divirta-se e depois venha aqui dissertar sobre o que correu bem e mal e o que devia ser melhorado ou não… Mas faça uma passeio num dia de semana, de bicicleta, pela sua cidade.

  3. Bom dia,

    Apesar de já ter participado mais do que uma vez na Massa Crítica de Lisboa, dou-lhe toda a razão. A principal razão que me levou a não começar a participar mais cedo foi a clara falta de respeito pelas regras de trânsito que pode ser constatada nas fotos.

    Sim, os automobilistas (alguns) não respeitam as bicicletas. Sim, também infringem regras. Nada disso nos dá o direito de fazer o mesmo. Pelo contrário, deveríamos mostrar que somos superiores e que conseguimos de facto partilhar a estrada sem causar problemas para os outros veículos.

    Ao participar na MC já vi de tudo, desde insultos a provocações, até ameaças por parte dos ciclistas. Não acho correcto e não me identifico com tais actos. Conheço inclusivamente pessoas que usam a bicicleta todos os dias mas que se recusam a participar na bicicletada precisamente pelas razões referidas.

    Não são estas guerrinhas que vão levar à partilha justa do espaço. Temos de saber conviver.

    Cumprimentos,
    JC

  4. Tiago Santos

    2011/10/31 at 11:40

    Bom dia,

    Quem anda diariamente de bicicleta sabe que tem que infringir algumas regras do Código da Estrada para sua segurança. O CE não protege as bicicletas. No entanto, percebo o seu ponto de vista.

  5. @thomas não ponho em causa que os automobilistas infrinjam o CE. A questão é : estas iniciativas não deveriam servir para atrair automobilistas? ou ser ciclista é incompatível?

  6. @Ana Leal o problema é colocarem me (ou a qualquer automobilista) como inimigo…
    “A Massa Critica não tem o intuito de agradar ou desagradar automobilistas, apenas vamos dar uma voltinha por Lisboa uma vez por mes, todos juntos.”
    isto é hipocrisia… aquilo não é um passeio – é uma manifestação e de pleno direito. convoquem-na para existir segurança policial e não vir a existir a uma martirização futura de alguém que se aleije por passar à frente de um carro numa rotunda tão complicada como aquela!

  7. Bom, entendo a sua reacção unicamente porque me parece mal informado.

    A esmagadora maioria das pessoas que participam na MC procura respeitar todos os utentes da via pública por igual: carros, TP, bicicletas e peões. Mais, normalmente conhecem e respeitam o CE muito mais do que 99% dos automobilistas e inclusivamente autoridades policiais. É que conhecer os (poucos) direitos que nos assitem no CE faz a diferença na hora de lidar com máquinas de 2 toneladas.

    Dito isto, há quem vá à MC para armar confusão. Olhe, é a vida! Ninguém pode controlar isto, como infelizmente eu não consigo controlar as abéculas que atascam os passeios de carros como se fosse um direito divino estacionar onde calha, ou os engarrafamentos infernais de cada vez que há jogo da bola (estacionar na 2a circular ahn? Isso é que é!), ou os desfiles em marcha lenta para casamentos, protesto contra portagens, acções publicitárias, etc etc. São muitas mais, e quotidianas, as ocasiões em que os automobilistas empatam a vida a toda a gente.

    No dia em que os vir realmente preocupados com isto, terei muito mais compreensão para entender a indignação de quem espera 5 minutos numa boite que acontece 1 vez por mês!

    Assina um ciclista, patinador, automobilista e peão que gostava muito que as pessoas pusessem em perspectiva o seu modo de transporte e pensassem no que queren para uma idade mais agradável para todos!

  8. Há uma tendência natural para os oprimidos (no caso, os ciclistas), em dia seu, fazerem asneiras. É assim, ponto final!
    Como ciclista e automobilista, parece-me mau para a causa que se façam show-offs como o que descrevem no Marquês. Afinal queremos adesões e não fugas à causa, ou não?
    Será um mal necessário, mas não deixa de ser incorreto, sabendo embora que os automobilistas não têm, de um modo geral, qualquer respeito por bicicletas e peões…

  9. R Ferreira

    2011/10/31 at 12:11

    Caro condutor,

    Permita-me alguns esclarecimentos.

    Massa Crítica não é um grupo, nem uma organização, nem sequer um movimento. É apenas um evento que celebra a bicicleta e ocorre a cada última sexta-feira do mês, em várias cidades do país e em muitas do mundo inteiro. Não há um responsável, um organizador ou um administrador. Cada participante é tudo isso. Nos países lusófonos, a Massa Crítica é frequentemente denominada de bicicletada.

    Existe um site mantido por vários voluntários, sem qualquer hierarquia definida. Quem quiser, pode fazê-lo. Também existe uma mailing list aberta a qualquer pessoa que tenha endereço de e-mail. Mais recentemente, foi também criado um grupo no Facebook onde qualquer utilizador dessa rede pode entrar e qualquer membro pode ser administrador.

    As voltas ao Marquês são apenas o início do passeio. Não são demoradas, são à velocidade que é possível, dada a densidade de trânsito a essa hora. Posso dizer-lhe que, fora das horas de ponta, faço essa rotunda a uma velocidade superior. E, como já terá reparado, fazem-no também muitos carros e, frequentemente, em excesso de velocidade.

    A única coisa que faz de Lisboa uma cidade complexa para andar de bicicleta é o excesso de automóveis que nela existem e respectivos comportamentos: o excesso de velocidade, a falta de respeito para com os outros utilizadores da via, o estacionamento selvagem em cima de passeios, passadeiras e ciclovias, ou em 2ªfila, a ausência de sinalização aquando de mudança de direcção, e outras violações aos sinais de trânsito e regras de segurança e condução básicas.

    Isto ocorre porque o automóvel domina a vida na cidade, sobrepôs-se às próprias pessoas e oprime-as. Tudo é tolerado em prol do automóvel, em detrimento de outros meios de locomoção. Não faltam exemplos: estacionamento no passeio porque não há mais espaço, vou em excesso de velocidade porque estou atrasado, etc…

    Uma vez por mês, esse desequilíbrio é alterado e o prato da balança pende um pouco mais para o lado de uma mobilidade mais suave, mais saudável e mais abrangente. Aberta a todos os cidadãos, de qualquer idade, profissão e condição física. A Massa Crítica existe para que, pelo menos uma vez por mês, quem gostaria de andar de bicicleta em Lisboa e não o faz porque receia o trânsito automóvel, o possa fazer com a segurança dos números. É, portanto, essencial manter o grupo coeso, como uma única massa que se desloca em conjunto.

    Quando algumas ruas são bloqueadas, alguns voluntários encarregam-se de comunicar com os condutores para explicar o que está a acontecer. Quase sempre, essas explicações são bem aceites e compreendidas.

    Lamento que considere a Massa Crítica um ataque quando, na realidade, se trata de uma celebração pacífica. Lamento ainda mais que os comportamentos que enunciou, o choquem vindo de quem se desloca de bicicleta quando, na realidade, a rotunda do Marquês de Pombal já se encontra bloqueada todos os dias, em hora de ponta, pelos milhares de automóveis que a atravessam e, frequentemente, fazem-na pelas faixas exteriores, i.e., “infringindo as mais básicas regras de segurança rodoviária”.

    Resta-me apenas convidá-lo para que, uma qualquer sexta-feira se junte à Massa Crítica e, talvez, consiga ver como é que tudo acontece do outro lado. A próxima é já dia 25 de Novembro.

    Cumprimentos.

  10. Engane-se… É um passeio.
    Se há a ideia de que gostaríamos de ver mais pessoas e acreditamos que andar de bicicleta, em Lisboa, é possível?… Isso é outra coisa.

    Tem aqui pano para mangas. Eu continuo com a minha sugestão: vá andar de bicicleta pela cidade em dia de semana. Divirta-se!

    só uma notinha – reparou que desta vez seríamos uns 200 (ou mais segundo as contagens)… quanto é que aquilo daria em carros???
    Podia ser melhor? podia! Mas não gerava tanta polémica!

  11. António C.

    2011/10/31 at 12:33

    Ora bem… pelo que percebi aqui o problema do autor do post é o facto dos ciclistas durante a massa crítica “ignorarem sinais de transito, regras de segurança e condução básicas”.

    Quanto às regras de segurança e condução básicas gostaria de saber quais são as que o autor está a sugerir que não são cumpridas. A verdade é que ao fim de 8 anos de existência mensal deste passeio não me lembro de ter havido registo de um acidente ou incidente resultante do comportamento de algum ciclista. Pode ser apenas uma sorte estatística, mas parece-me que é bem mais do que isso. Andar de bicicleta é seguro, bem mais que andar de automóvel. Note-se por exemplo as centenas de atropelamentos anuais, só na cidade de Lisboa…

    Depois, a história de não respeitar sinais de trânsito. Quando existem sinais de trânsito com cadências pensadas exclusivamente no fluir do tráfego automóvel, é natural que um cilista tenha alguma superiodade moral para não as respeitar. Nada em Portugal, protege o ciclista, nada em portugal protege as pessoas que tomem a iniciativa de escolher uma opção de mobilidade que tem benefício para todos (menos poluição, congestionamento, espaço para parqueamento, etc). De resto, e mesmo que fizéssemos a experiência de “a Massa” respeitar todos os sinais de trânsito, tenho uma forte intuição que o caos e a perca de tempo dos automobilistas convivendo com 400 ciclistas dispersos, seria muito maior do que nos moldes em que se desenvolve actualmente. Em qualquer caso, um ciclista durante a massa deve ser responsabilizado individualmente e conheço casos de pessoas que mesmo durante a massa fazem questão em cumprir escrupulosamente as regras de trânsito.

    Aceito porém que opiniões baseadas em intuição poderão ter fraco valor, mas quando se argumenta por baixo a resposta também não merece melhor validade científica…

    Um peão, ciclista, utilizador de transportes públicos e automobilista.

  12. António C.

    2011/10/31 at 12:37

    Faltou-me referir a ultrapassagem pela direita. Sim é perigoso e foi causa do único pequeno acidente que tive em Lisboa nos 8 anos que já circulo de bicicleta. Ao ultrapassar pela direita um carro parado, o passageiro abriu a porta…

    De qualquer modo, isso comparado com o excesso de velocidade dentro das cidades, amplamente aceite pela sociedade, não me parece ser de todo, grave…

  13. Sou completamente a favor de demonstrações intrusivas para demonstrar um ponto de vista. Sou completamente a favor de dar uma martelada na cabeça de alguém se achar que vai abrir os olhos para problemas socias e as respectivas soluções. Sou a favor de um passeio de 200 ciclistas, quebrando regras de trânsito (existe uma distância mínima que tem que se manter do veículo da frente e uma proibição de veículos lado a lado na faixa de rodagem que claramente são regras que estão a se quebradas), para demonstrar o ponto de vista. Chama-se a isto liberdade de expressão e ativismo social.

    O que não sou a favor é quando estas pessoas quebram esta mesma liberdade de expressão, fazendo comentários completamente descontextualizados porque se sentem incomodados com a crítica (mecanismo que utilizam quando se juntam para passear e criticar a falta de visão sobre os transportes em meios urbanos). Li as respostas e comentários e em nenhuma delas pede desculpa pela confusão e diz, assertivamente, que é a única forma de sensibilizar o povo. Nenhuma delas pede sugestões sobre como fazer o mesmo de forma menos intrusiva. Inclusivamente, existem respostas (grande parte delas) que justificam o incómodo com o incómodo, justificando um acto intrusivo com outro.

    @drcursor

    sou a favor deste tipo de coisas, é assim que, na minha opinião se mudam consciências. Percebo o teu ponto de vista e respeito. Acho que seria construtivo dares uma opinião de como se poderia ter o mesmo impacto sem tanto incómodo.

    @”incomodados” com o post do drcursor

    assumam o que estão a fazer, não tentem se “auto-moralizar” com desculpas, estão ali para incomodar (têm o meu total apoio, sei que de pouco vale, mas têm) e tenham a honestidade de assumi-lo.

  14. Naazgull, com que então temos que pedir desculpas por andar na estrada? Ninguém está ali para incomodar, quem diz isso ganhava muito em aparecer numa massa e ver com os próprios olhos em vez de embarcar em juízos de valor sobre o que se faz ou deixa de fazer. Como bem disseram mais acima, imaginem se fossem 200 automóveis a fazer o mesmo, aliás nem é preciso imaginar: é ver o que acontece em dia que o Benfica ganha.

    E depois, quem é que está a limitar a liberdade de expressão a alguém? O autor da posta exprimiu uma opinião, que teve aqui contraditório. Não temos todos que concordar, a mim parece-me é que o mal estar de muito automobilista vem de estarem demasiado habituados a que os excessos em que incorrem nunca tenham contraponto. A começar pelas autoridades que deveriam fiscalizar a via pública.

  15. António C.

    2011/10/31 at 13:18

    Ali para incomodar?

    Eu vou lá para celebrar o meio de transporte em que me desloco com mais frequência.

    Era o mesmo que dizer que o pessoal que vai em marcha lenta num casamento está ali para incomodar o trânsito…

  16. naazgull, a isto chama-se conversar, debater, expressão livre e respeitosa entre pessoas com opiniões.
    Uma critica leva a uma discussão, não a um pedido de desculpas.
    Podes imaginar esta gente toda numa mesa de café a conversar sobre o assunto.
    A contextualização não se consegue em 12 linhas de um texto.
    Para tal temos de conversar sem livremente sem juízos de valor. Poderemos mais fácilmente chegar a um acordo/compromisso.

    Ora… se, seguindo todas as regras do código da estrada, fossemos em filinha indiana, o impacto ainda seria maior, sem dúvida. Se calhar é de tentar!
    Mas isto levaria a mais acidentes. Tem de ser em bloco para que estejamos seguros, é triste mas é verdade.

  17. mas o objectivo deles é mesmo esse, o de criar polémica, distúrbios, para se fazerem notar.
    mas com mta pena minha e penso que deles, são tão insignificantes como trânsito que são ignorados pela policia.

  18. e mais, infelizmente prevejo que a polícia actuará apenas qdo ja for tarde demais, qdo alguem se passar da cabeça de estar ali a olhar para aquele carrossel no marquês, com os putos a divertirem-se “tótil”, e dar uma marretada nos cornos de um deles. espero estar enganado, mas qdo se estica a corda esta-se sujeito.

  19. Boas.

    Não percebo o desagrado de esperar, não percebo o stresse.

    Eu já fiquei entalado no trânsito 2 vezes por causa da bicicletada, uma das vezes à rasquinha ( se existe razão para andar depressa é a necessidade soberana de ir ao wc ) e nunca me passou pela cabeça ir chatear quem se manifesta.

    Eles têm razão. Aliás, nós temos razão ( entretanto também passei a dar umas voltinhas na última sexta de cada mês ).

    Por muito bom e confortável que seja, andar de automóvel numa cidade é uma burrice pespegada.

    E desenvolver uma cidade com base na circulação automóvel é tão, mas tão errado, q

  20. … que até chateia. 🙂

  21. Pois é, os “putos que andam ali a divertir-se” merecem umas “marretadas nos cornos”. Ora aqui está a razão primeira para que o pessoal se mantenha unido, corte ruas, etc: os grandes trabalhadores que vão de automóvel não toleram a mínima afronta ao seu direito divino a circular como bem entendem. Afinal, só eles é que trabalham, só eles é que pagam impostos, só eles é que contribuem para o défice! A polícia e os automobilistas só têm é que espezinhar os hereges, onde já se viu, intrometerem-se no MEU espaço, tocarem no MEU carrinho, na MINHA estrada? Morte a eles na fogueira, ou passe-se com o carro por cima deles! Muitos tentam e só não conseguem porque o pessoal anda atento. Haverá ciclistas tacanhos que pensam assim em relação aos carros, mas é evidente que a relação de forças não tem comparação: é só isto que queria dizer ao autor do blog, a quem repito o convite de aparecer numa MC “do outro lado”.

  22. blá, blá, blá, blá, blá… gosto bastante de respostas que se centram em detalhes de retórica (utilizados para explicar um ponto de vista) e passam completamente ao lado do cerne da questão.

    Se bem entendi a posição do drcursor (que em grande parte é igual à minha), assumam o que estão ali a fazer, informem o Governo Civil (não é pedir autorização, não se pede autorização para um protesto, marcha ou qq coisa do género) e informem o cidadão, para que este possa optar por “atropelar uns quantos” ou “dar a voltar pelo cimo do parque eduardo sétimo”. Se não querem fazer nada disto, então chamem o devido nome à coisa e assumam o que estão ali a fazer que é incomodar. E nesse sentido sim, digam: “Ò drcursor, apesar de achar que és careta, lamentamos o incómodo, mas é assim a vida, para nos fazermos ouvir, temos que incomodar”. Deixem-se de hipocrisias de “oh, incómodo é os carros que quase nos passam por cima”, “ah, faltas ao código da estrada são os automobilistas”…

    Assinado: anarquista, sem carta de condução que infringe recorrentemente o código da estrada quando anda de bicicleta e anda chama nomes aos automobilistas

  23. António C.

    2011/10/31 at 19:24

    LoL, o anarquista que defende que se deve pedir autorização ao governo civil para dar um peido.

  24. António C.

    2011/10/31 at 19:28

    ah não, não é autorização, é só informação…
    a data e local do evento são públicos e repete-se mensalmente à mesma hora pelo menos à 8 anos…

  25. mais uma vez, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá…

    @António C
    não me agrada ver quem quer que seja a usar a própria ignorância como se fosse uma medalha e assim sendo, ficam aqui umas quantas referências:
    – um link para o significado de anarquia: http://en.wikipedia.org/wiki/Anarchy. Aponto especial atenção para a secção intitulada “Anarchy interpreted in political philosophy”.
    – um link para o significado da liberdade de reunião em Portugal: http://pt.wikipedia.org/wiki/Liberdade_de_reuni%C3%A3o.
    – um link para a definição de “peido”: http://www.infopedia.pt/lingua-portuguesa/peido. Devo dizer que não encontrei qualquer referência a este termo na Constituição da República nem associado a qualquer tipo de actividade que requeira autorização do Governo Civil

    Assinado: o anarquista que cometeu o erro de dizer que é hipocrisia chamar passeio a um protesto

  26. Naazgull, por essa ordem de ideias, quando há um jogo do Benfas e os acessos que uso casa-trabalho ficam entupidos de carros engarrafados e nos passeios (acontece-me todos os 15 dias, sensivelmente), devo reclamar junto do Governo Civil para ser ressarcido dos danos morais, é isso? E “assumam, assumam”… Assumam o quê? Eu assumo a minha participação, individualmente, que é para me divertir, conversar com ciclistas, peões e automobilistas e celebrar um modo de vida mais solidário, prático e sustentável. Os outros que assumam as suas opções, se há grunhos que gostam de chamar nomes aos automobilistas pois bem, que sejam muito felizes com isso mas não me venham colar a mim esse rótulo ou pregar sermões.

  27. @JP

    se achas que deves reclamar junto do Governo Civil por a 2ª circular ficar entupida quando se realiza um jogo de futebol, acho muito bem. Eu faria o mesmo, não sou clubista e não aprecio a estupidez cega à volta desse conceito. No entanto, não faço, não preciso, pois circulo nos transportes públicos.

    Acho que sim, que devem assumir que estão ali para incomodar o trânsito, essa é única razão para o ponto alto do “passeio” se centrar em dar umas quantas voltas na rotunda mais populada da cidade. Eu concordo contigo, deve ser muito divertido, e não fosse o “passeio” ser composto por pessoas que chamam aquilo de “passeio” até me juntaria à festividade.

    Agrada-me bastante que te sintas bem contigo e com os passeios de sexta-feira à tarde. Agora chamares 200 ciclistas a dar voltas à rotunda do marquês, todos ao molho, celebração de um meio de transporte e do diálogo com ciclistas, peões e automobilistas, é claramente uma tentativa inócua de fantasiar um acto que nada tem a ver com isso. Quanto aos rótulos, não te chamei nem grunho nem pastor, se te sentes rotulado, deverá ter a ver com a tua consiciência, não com a minha opinião.

    Assinado: o anarquista que cometeu o erro de dizer que é hipocrisia chamar passeio a um protesto

  28. naazgull, porque é que assumes que toda a gente está ali para incomodar o trânsito? Já se explicou N vezes que não há uma organização da MC, eu e outros já explicámos quais as nossas motivações _individuais_…agora porque tu achas que incomodamos e queremos incomodar, temos todos que enfiar o barrete?

    A Massa é uma celebração antes de mais nada, para mim e para muitos (diria a maioria) dos que lá vão. Que haja outros que lá vão para compensar frustrações e provocar os outros, não me diz respeito, individualmente. Tento evitar, tento desdramatizar essas situações, agora não enfio esse barrete, nem me cai bem que alguém que não conhece nem quer conhecer o que é uma MC me chame de hipócrita, repetidas vezes.

    Realmente, o anarquismo evoluiu muito, pois agora pelos vistos até já se certifica no Governo Civil e a liberdade individual não conta para nada. Sempre a aprender!

  29. Sou alguém que gosta de aderir a tudo o que são passeios de bicicleta, pelo gozo da bicicleta.
    Estreei-me na última MC de Lx e posso dizer que foi também o último passeio destes em que participei.

    Gostei:
    – De andar por Lisboa de bicicleta e à noite. Apenas e só.

    Não gostei:
    – Da atitude provocatória perante os automóveis. São pessoas, com as suas vidas e com os seus afazeres, que terão provavelmente os seus próprios motivos para circularem de carro (seria difícil para mim, p.ex., levar e trazer os meus filhos da escola usando uma bicicleta)
    – Da deslocação do passeio ser feita pelas principais avenidas, ocupando as faixas por inteiro e ao ritmo mais lento possível. Admira-me que não tenham havido acidentes.
    – Do destino do passeio ser um edifício onde se foram colar mensagens reivindicativas. Para um passeio que não é organizado, foi interessante ver como muitas pessoas de repente se viram numa agenda de interesses que não lhes foi previamente comunicada. Por mim, foi o sinal imediato para desmobilizar…

    Para terminar, até certo ponto sou um inconformado. Escolho andar TODOS os dias de moto, faça chuva ou sol, numa cidade onde os carros são reis. Mas não me importo. Eles na deles e eu na minha, cada um à sua vida, quando se queixam do inferno em que vivem, só comento que existem outras soluções. Mas ma verdade cada um sabe de si, longe de mim querer impôr aos outros o que para mim tão bem funciona.

    Cumprimentos (moto)ciclísticos!

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