Category: Intervenção

Fim da luta armada no País Basco

Como anunciado ontem, a ETA declarou o fim da luta armada pela auto-determinação do País Basco.

É necessário lembrar que esta declaração aparece meses depois da declaração de cessar fogo e se enquadra num processo de reivindicação política da auto-determinação do Pais Basco muito mais vasta e que tem sido ignorada pelos meios de comunicação social portugueses. É agora a vez do Estado Espanhol (e também Francês) dar o seu passo, no caminho da paz e do respeito dos interesses do povo basco.

Tira de Tasio

Tira de Tasio

Diz Zapatero que “Espanha tem memória” – pois então que se lembre das GAL – brigadas assassinas a soldo do estado espanhol; que se lembre dos milhares de torturados, das centenas de bascos presos e dos milhares de mentiras inventados ao longo das décadas para denegrir a causa da auto-determinação basca.

Há quem queira lembrar Begoña Urroz, a suposta primeira vitima da ETA – pois que se lembre onde começou a mentira.

Recomendo a todos a leitura de um livro muito interessante, que tem um ponto de vista completamente neutro em relação ao assunto e que pode ajudar a levantar um pouco o véu sobre este conflito que embora esteja geograficamente tão perto, acaba por estar tão longe da mente dos portugueses – “Euskadi – A guerra desconhecida dos bascos

 

Fenómenos

Este fenómeno cá também se dá – quando centenas de milhares de pessoas saem à rua, e vemos noticias sobre um pepino gigante do Entroncamento.

Tempo de lutar ! Quanto mais calado, mais roubado!

Como seria de esperar, assistimos hoje a uma manifestação de indignados, que, por ter tido apenas 10% da visibilidade mediática, acabou por previsivelmente ter tido 10% da participação.

Não é altura de olhar para esta luta e pensar que os Portugueses não estão indignados, estão! Mas acima de estudo estão resignados – estão ensinados e bem mandados a achar que estas medidas são o “tem que ser”, o “não há alternativa”. Pois há alternativas – taxar quem deve ser taxado, fazer com que quem inventou esta crise, a pague!

É necessária a máxima participação na greve geral que por certo de aproxima, é necessário resistir às 8.30 diárias, é necessário lutar pelo direito às 40 horas semanais (luta que ao longo do século vinte envolveu milhares e milhares de pessoas, muitas assassinadas!), é necessário lutar pela existência do 13º e 14º mês, é necessário lutar contra a espoliação do bem público, contra a venda a capitais estrangeiros da Galp, Edp, PT, CTT, Carris, STCP, Metro, etc etc etc.

Muitos dos que hão de ler isto, hão de pensar “yada yada yada, bla bla bla – lá estão os comunistas outra vez” – outra vez? cada vez mais! cada vez mais na certeza que é necessária a luta contra esta contra-revolução mascarada de crise, na luta pelos direitos, na luta pela democracia, na luta pelo povo e trabalhadores.

Todos os dias são dias de luta e resistência, mas esta terça-feira marca o inicio de uma mostra de descontentamento que se irá prolongar pelos próximos meses. Apelo a todos à participação e divulgação (já que ao contrário de certas “manifs” esta não terá por certo divulgação ou expressão mediática – mesmo que tenha o mesmo número de participantes) – às 18 horas, na Rua do Chiado em Lisboa.

E para completar… uma música que acho que se apropria:

http://www.youtube.com/watch?v=1RItM40rI8I

“Quem governa faz tábua rasa, mas lamenta com fastio a crise da habitação
E assim se faz Portugal, uns vão bem e outros mal”

The revolution will not be televised


http://www.youtube.com/watch?v=rGaRtqrlGy8

“Considera agora o outro lado da questão. Se durante anos te repetirem, dia após dia, com a mesma precisão com que te anunciam o terramoto japonês, que a solução para os teus problemas económicos só pode ser encontrada dentro do próprio sistema que os criou e que uma solução fora desse sistema nos condenará a todos à catástrofe, terás estado a receber uma representação fidedigna dos teus próprios medos ou dos medos de outras pessoas – as principais beneficiárias desse sistema?

Recusarmo-nos a usar o cérebro e confiar apenas nas representações dos «outros» não nos torna estúpidos, mas vítimas. E às vezes – como podemos ver pelas imagens que nos chegam da Grécia – as vítimas podem surgir aos nossos olhos apenas como simples arruaceiros.

Fragmento de um texto do Bitaites

World’s Best Big Brother

 

“Comissão Nacional de Protecção de Dados considera compromisso inconstitucional – Parlamento disse sim à partilha de dados biométricos com os EUA” [ Público ]

+

“O cidadão norte-americano detido pela PJ que estava em Portugal há mais de duas décadas era tido como natural da Guiné-Bissau e tinha Bilhete de Identidade português” [ Público ]

=

“United States officials worked with Portuguese authorities to follow that lead, using the Portuguese national identity database, which includes fingerprints. The fingerprints that the authorities in the United States had for Mr. Wright matched prints on file from Mr. Dos Santos, Mr. Schroeder said.” [ NY Times ]

?

[E já agora, porque é que os jornais dão tanto destaque ao facto de o Mr. Wright ser um homicida, e pouco destaque dão a que ele era um activista politico? E que os seus restantes companheiros, presos em França não foram extraditados para os EUA precisamente por causa disso?]

Nem mais…

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